Ao entrevistar mais de 10 mil empresas, a Delloite descobriu que 56% delas estão redesenhando seus processos de RH para aproveitar ferramentas digitais. Isso significa que a etapa de recrutamento e seleção (R&S) tem passado por grandes ajustes. A questão é: como o recrutador do futuro irá atuar?

Para eliminar essa dúvida, é preciso considerar as novas ferramentas de gestão — por exemplo, a internet das coisas e a automação dos processos. A Inteligência Artificial (IA) tem mais proeminência, afinal, é a espinha dorsal da transformação digital. Logo, é nítido que o profissional de RH precisará de um novo conjunto de conhecimentos e habilidades.

Conversamos com Henry Novaes, sócio e co-founder da Connekt e reunimos uma série de informações sobre o assunto. Assim, você vai entender como a Inteligência Artificial tem transformado a gestão do capital humano e como isso impacta o recrutador do futuro. Portanto, continue a leitura!

Quais as principais características do recrutador do futuro?

O processo de seleção é cada vez mais autossuficiente. As atuais plataformas digitais são capazes de cruzar dados dos candidatos e das vagas em aberto, depois triar os melhores currículos para cada oportunidade (com pouca ou nenhuma interferência humana). Mas então, o que o recrutador vai fazer no futuro?

É preciso destacar que máquinas são ideais para trabalhos repetitivos, mas não para atividades que demandam criatividade, visão crítica ou solução de problemas. É exatamente nesse sentido que o recrutador do futuro deverá se desenvolver. Confira!

Capacidade de solucionar situações complexas

Com as novas tecnologias e a Inteligência Artificial, as máquinas já são capazes de administrar processos rotineiros, mas demandas singulares, profundas e até imprevisíveis continuarão dependendo do fator humano para serem resolvidas. Portanto, é uma habilidade cada vez mais importante.

Ao longo da jornada do candidato no processo seletivo, há vários problemas que demandam destreza em resolver situações complexas. A falta de alinhamento, o desinteresse dos candidatos e até conflitos interpessoais são só alguns dos exemplos.

Habilidade de lidar com pessoas diferentes

O ambiente de trabalho nunca foi tão diverso. São pessoas com diferentes culturas, realidades e experiências. Com o avanço do trabalho remoto, a tendência de equipes multiculturais ganha reforço, afinal, profissionais de diferentes regiões poderão se conectar por meio da tecnologia.

Nesse contexto, o recrutador deverá compreender a riqueza que há nas pessoas que pensam de forma diferente e “afiar” sua habilidade de lidar com a diversidade. Somente assim será capaz de identificar e contratar verdadeiros talentos.

Disponibilidade para aprender, desaprender e reaprender

O ciclo de vida das tecnologias é cada vez menor. Isso significa que, mesmo as modernas plataformas de gestão de pessoas poderão ser substituídas em alguns anos, que dirá os métodos mais tradicionais de seleção. Também quer dizer que os especialistas de RH devem estar sempre dispostos a aprender, desaprender e reaprender.

Ou seja, ser flexível e estar aberto às mudanças é crucial. O recrutador do futuro deverá ser desapegado de processos tradicionais e disponível para abraçar o que há de inovador. Desse modo, as práticas de RH serão melhoradas e, por conseguinte, a competitividade da empresa, maior.

Aptidão para analisar o alinhamento cultural

Algumas vagas tradicionais, como a de telefonista, estão deixando de existir. Do mesmo modo, novas funções emergem e precisam ser preenchidas. Todavia, nem sempre é fácil enquadrá-las em competências técnicas, sendo assim, é cada vez mais comum englobar quesitos comportamentais no processo seletivo.

O recrutador do futuro deve ter a aptidão de analisar o alinhamento cultural entre empresa e candidato, também chamado de Fit Cultural. Se houver o aspecto comportamental, é mais fácil desenvolver as competências técnicas e tornar o candidato apto para atuar com excelência.

Comunicação com o mundo

As tecnologias de ponta são desenvolvidas em todos os cantos do mundo. Cada vez mais as empresas são cadeias globais. Conseguir compreender, contribuir e apreender com o que acontece no mundo é papel fundamental do Recrutador do Futuro, isso cria a necessidade do recrutador ter o domínio de outros idiomas. O inglês acaba sendo um requisito básico para que o recrutador domine essas novas tecnologias.

Como a IA impacta diretamente o trabalho do recrutador?

Na gestão de pessoas, poucos trabalhos passam por uma transição digital tão grande quanto o recrutamento e seleção de talentos. Com recursos diversos é possível realizar entrevistas a distância, criar páginas de carreira, automatizar a triagem de currículos, centralizar a comunicação com os candidatos na plataforma de seleção, tudo de forma a otimizar e tornar os processos mais precisos.

A Inteligência Artificial também contribui bastante, pois permite que a busca por talentos fique mais rápida, hábil e envolva custos mais acessíveis.

A definição de vagas é feita levando-se em consideração diversos filtros,como, por exemplo, o nível de escolaridade e o tempo de experiência do profissional na área. A partir daí, os robôs inteligentes irão trabalhar com base em algoritmos para encontrar o profissional com os conhecimentos, habilidades e atitudes desejadas.

Diferente dos processos tradicionais, a IA torna dispensável a análise de uma grande quantidade de currículos e apresenta só os perfis que possuem maior compatibilidade com a empresa e vaga em aberto, de acordo com os filtros iniciais.

Mas não acaba por aí. Também permite aplicar testes de proficiência e realizar entrevistas online, tudo para tirar conclusões mais acertadas na contratação.

Nesse sentido, o recrutador pode otimizar o tempo, deixando tarefas repetitivas a cargo da Inteligência Artificial e focar em atividades mais estratégicas, como a entrevista de seleção e a análise do alinhamento cultural. E mais, poderá arquitetar um processo de seleção autônomo e que facilite a aquisição de novos talentos.

Quais os desafios que o recrutador precisa enfrentar em relação à IA?

Pode até parecer uma realidade distante, mas certamente não é. Existem softwares para recrutamento e seleção que aplicam a Inteligência Artificial nas principais etapas do processo, permitindo que o recrutador obtenha as vantagens já descritas.

Um dos primeiros desafios é, muitas vezes, convencer a liderança da empresa de que a IA é necessária ao setor de RH. Para superá-lo, não foque nos custos envolvidos na aquisição da tecnologia, mas na eficiência operacional e econômica que ela agregará à empresa. Lembre-se que uma boa contratação otimiza a força de trabalho e reduz uma série de custos trabalhistas.

Outro desafio é encontrar uma tecnologia de ponta. Apesar de existirem muitos bancos de currículos ou sistemas de R&S, poucos aplicam a IA com eficácia. Portanto, é necessário ir além das tecnologias tradicionais e buscar por um fornecedor que tenha a Inteligência Artificial no centro da sua estratégia.

Ao enfrentar esses desafios, será possível se adaptar à transformação digital, usar a IA em seu favor e extrair excelentes resultados da gestão de pessoas. Além disso, poderá se desenvolver como o recrutador do futuro!

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