Processo seletivo digital para PCD: saiba como fazer corretamente

O número de vagas para pessoas com deficiências físicas ou intelectuais nas empresas tem crescido os últimos anos. É claro que a Lei de Cotas contribui muito para isso, mas diversas organizações estão se conscientizando sobre o seu papel na sociedade e sobre como a inclusão desses indivíduos é importante para o desenvolvimento de bem-estar social.

Dentro desse contexto, é importante que o profissional de RH saiba como realizar um processo seletivo digital para PCD. Afinal, a tecnologia já vem sendo utilizada para recrutamento e seleção nas grandes empresas.

Para que você saiba como fazer corretamente o processo seletivo digital para PCD, desenvolvemos uma lista de itens que precisam ser cumpridos. Acompanhe nos tópicos a seguir!

Planeje o processo de recrutamento

O planejamento do processo de recrutamento para pessoas com deficiência não é tão diferente daquele que já é realizado na sua empresa. No entanto, algumas questões acerca da acessibilidade devem ser levadas em consideração.

Ao divulgar as vagas, por exemplo, é preciso deixar claro se ela é exclusiva para PCDs ou se outras pessoas também podem se candidatar ao cargo. Outro ponto importante diz respeito aos tipos de deficiência que são aceitas para a função. Para isso é preciso ter muito cuidado para que a vaga não pareça discriminatória.

Aplique testes acessíveis

É preciso que os testes online realizados em um processo seletivo digital para PCD sejam acessíveis, para que todos consigam realizá-los sem enfrentar dificuldades. Para isso, é preciso levar em consideração o tipo de deficiência que cada candidato tem.

Veja algumas das barreiras mais comuns a serem enfrentadas ao aplicar testes para PCDs e dicas para que elas sejam vencidas.

Deficiência visual

As pessoas que têm dificuldades de visão ou que são completamente cegas geralmente utilizam leitores de tela para acessar a internet. Esses softwares permitem que seja feita a leitura de textos e imagens, que são descritos em voz alta para que o conteúdo seja compreendido.

Nesse caso, é importante que toda a parte textual e visual dos testes tenha descrições completas para que os deficientes visuais consigam entender bem do que se trata. Também deve ser evitado o uso de caracteres especiais, que não são lidos pelos softwares de reconhecimento.

Deficiência auditiva

Nos processos seletivos digitais, é uma prática comum que sejam incluídos vídeos nos testes. No entanto, pessoas com deficiência auditiva não conseguem ouvir o áudio ou a narração desses conteúdos — o que pode prejudicá-las.

Para solucionar esse problema, convém que todos os vídeos tenham uma legenda ou a tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), uma vez que boa parte da comunidade surda é alfabetizada com esse conjunto de códigos gestuais.

Deficiências intelectual e mental

As pessoas que têm deficiências intelectuais e mentais — como o caso dos portadores da Síndrome de Down e de outras condições — podem ter dificuldades cognitivas para interpretar frases muito longas.

Por isso, mudanças textuais devem ser feitas nos textos. Recomenda-se que sejam utilizadas frases mais simples, curtas e sempre com uma ordem direta. Isso tudo fará com que a compreensão dos testes seja mais fácil.

Realize entrevistas por vídeo

As entrevistas por vídeo já são uma tendência em processos de recrutamento e seleção. No caso dos PCDs, elas são muito úteis, pois algumas dessas pessoas podem ter dificuldades de locomoção para ir até a sede das organizações — como os cadeirantes.

Assim sendo, a realização de entrevistas por vídeo é muito importante para facilitar o contato inicial entre a empresa e o candidato. Mesmo assim, algumas adaptações são necessárias.

No caso da entrevista ser realizada com pessoas surdas, é uma boa alternativa que o recrutador esteja acompanhado de um intérprete de libras, que possa fazer uma tradução simultânea.

Já para as entrevistas com pessoas que tenham algum tipo de deficiência intelectual, convém falar mais pausadamente e fazer perguntas mais diretas, sem muitos rodeios.

Ofereça uma boa experiência ao candidato

É importante que o recrutador tenha a expertise de deixar o candidato PCD muito à vontade em processos de recrutamento e seleção. Deve-se conversar abertamente com todos, questionando sobre as necessidades de adaptações que a empresa terá que fazer para bem recebê-los.

Deve-se sempre deixar claro que a organização apoia a inclusão social de deficientes e que eles serão muito bem recebidos na empresa. No entanto, é preciso medir as palavras para que não pareça que essas pessoas terão “privilégios”.

Alguns deficientes podem se sentir ofendidos se você der a entender que eles receberão um tratamento especial por conta de sua condição. A inclusão social de PCDs significa colocá-los no mesmo patamar das demais pessoas, apenas proporcionando uma infraestrutura para que eles possam realizar o trabalho em questão.

Converse com profissionais da área

Uma boa maneira de saber como realizar um processo seletivo digital para PCD é conversar com outros colegas da área de RH que já tenham desenvolvido esse trabalho. Assim, eles poderão compartilhar experiências e dar dicas sobre como o processo ocorre.

Além disso, se você se sentir mais seguro, pode contar com uma consultoria de profissionais especializados no tratamento de PCDs nas primeiras entrevistas, caso se sinta mais seguro dessa forma.

Tome cuidado com as generalizações

Conforme explicamos, existem vários tipos de deficiências, e é por isso que você precisa tomar cuidados com as generalizações. Caso isso não seja feito, você pode até ter uma postura ofensiva para alguns candidatos portadores de necessidades especiais.

Um cadeirante, por exemplo, apenas não consegue movimentar as pernas, mas tem um bom desenvolvimento intelectual e cognitivo. Logo, não é necessário fazer adaptações na forma de conduzir uma entrevista, tampouco nos textos dos testes aplicados.

Essas são algumas dicas importantes para que você consiga fazer um bom processo seletivo digital para PCD. Leve tudo em consideração e garanta excelentes contratações para a sua empresa, além de boas oportunidades para os deficientes que estão em busca de colocação ou recolocação profissional.

O uso de ferramentas tecnológicas contribui muito para o processo seletivo de PCDs. Veja mais informações sobre esses recursos no artigo “RH Inteligente: quais os impactos da tecnologia na gestão de pessoas?”.

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