Não é só pelo dinheiro – Trabalhar por um propósito

Uma das questões mais presentes no pensamento e artes ocidentais é a do sentido ou propósito da vida humana! Por que existimos? A vida tem uma finalidade? Qual a razão para viver? 

Estas são algumas das questões fundamentais da chamada metafísica, mas também estão no centro de áreas como a psicologia e a sociologia e são preocupações também presentes em quase todas as disciplinas das ciências humanas, como a economia, o estudo das organizações, a antropologia, etc. Mesmo as artes, em especial a literatura e as artes da representação, buscam frequentemente sua inspiração no sentido da vida para as pessoas e comunidades.

Quando o trabalho começou a tomar uma parte preponderante da vida das pessoas, ficou também evidente a necessidade de discutir o seu sentido ou propósito. Para os antigos gregos, o trabalho era indigno do homem livre e devia ser relegado aos escravos ou cidadãos de segunda classe, como comerciantes e artesãos. E assim permaneceu por quase toda a nossa história. Já no começo do modelo de trabalho assalariado, pensadores importantes como Adam Smith se preocupavam com os efeitos negativos da rotina no trabalho sobre a vida e a saúde dos trabalhadores. Pouco se discutia, entretanto, se o trabalho poderia ter um significado diferente do puramente econômico, de suprir as necessidades de sobrevivência das pessoas. Esta preocupação somente começou a ocupar as mentes dos estudiosos com o aparecimento das ciências humanas, como a psicologia, a psicanálise e, mais tarde a administração. Freud, por exemplo, percebia que o trabalho era uma das possibilidades de enfrentar o que ele denominava mal-estar na civilização. 

A busca por sentido e propósito no trabalho ficou muito mais evidenciada a partir de análises como a de Maslow e sua célebre pirâmide das necessidades humanas. Na base estariam as necessidades elementares como as de sobrevivência e segurança e, no topo, as necessidades de realização pessoal. Imediatamente, o seu estudo foi apropriado por grandes campos do comportamento humano, como a organização e gestão do trabalho e o marketing e publicidade. Ficou claro que, depois de suprir suas necessidades básicas, os sujeitos humanos buscam suprir necessidades de realização pessoal e coletiva, vinculadas a significados. 

Assim, o propósito e significado no trabalho, atividade na qual dispendemos a maior parte de nosso tempo desperto, entrou definitivamente para o centro dos debates. Mais do que isto, a busca por um propósito diferente do mero ganho pecuniário, pretende se apresentar também como uma possibilidade de solução para o eterno conflito entre os interesses da organização e as necessidades dos indivíduos. O assunto é objeto de grande parte dos estudos de liderança, cultura organizacional, gestão de RH, etc. Não se trata apenas de indivíduos buscarem um propósito para o seu trabalho, mas de as empresas e seus líderes contribuírem para que seus colaboradores encontrarem significado no trabalho. Empresas que conseguem trazer propósitos adicionais aos da simples geração de lucro e valor para o acionista foram frequentemente identificadas como de melhor performance e sustentabilidade de longo prazo. O mundo não se contenta mais somente com lucro e este tipo de sucesso começou a ser associado com a destruição do meio ambiente, a insustentabilidade e danos para a vida de pessoas e comunidades. Há necessidade de uma nova harmonia que invade os projetos de vida pessoais e dos grupos.

Um novo e grande mercado de trabalho vai sendo disponibilizado para indivíduos que buscam algo mais do que apenas o seu salário de fim de mês ou seu bônus. São atividades muito próximas daquelas diretamente relacionadas com os cuidados com o ambiente e com as pessoas mais vulneráveis, antigamente enquadradas apenas no chamado terceiro setor, onde o trabalho muitas vezes era realizado apenas pró-bono, criando uma dualidade entre propósito e realização financeira.

A possibilidade de sentir que seu trabalho tem algum impacto positivo sobre a vida das pessoas ou do meio ambiente, mobiliza especialmente os grupos de jovens entrantes, como os millenials e geração Z. Eles estão dizendo algo profundamente transformador: de que somente trabalharão em atividades que fizerem sentido para eles, atividades que fizerem bem para eles ou para os outros. 

Com isso desenvolveu-se nos últimos 5-10 anos um campo totalmente novo de negócios os chamados Negócios de Impacto, ou setor 2,5, em alusão a um meio termo entre o assistencialismo das ONGs e o capitalismo predatório das organizações privadas.

Esse setor, tenta aliar temas como inclusão social, educação, acessibilidade e proteção ambiental à geração de lucro e vem cada vez mais mostrando que é possível gerar receitas fazendo o bem para os outros ou para o meio ambiente.

Nestas empresas, as lideranças encontram contribuições efetivas para dar suporte aos seus objetivos de inspirar e infundir propósitos nas suas equipes. Por outro lado, trabalhar por propósito não é mais apenas uma possibilidade para aqueles que se juntam ao terceiro setor. 

Em paralelo, o aumento da demanda por pessoas especializadas ou não nas empresas ou negócios sociais leva à necessidade de desenvolver pessoas aptas para a gestão desses novos recursos humanos. São criadas empresas dedicadas ao recrutamento e seleção de interessados, estudos e trilhas de carreira, programas de desenvolvimento e sistemas de metas e métricas diferentes daqueles que focavam apenas no aumento de receitas ou lucros. 

Para os indivíduos que desejam ingressar nestes novos mercados de trabalho também há mudanças importantes. Questões como a necessidade de aumento de receitas sem justificativas e criação de produtos apenas para aumento de vendas são contrapostas, com a possibilidade de trabalhar em ambientes mais colaborativos, diversos e eticamente mais saudáveis. Para organizações e indivíduos, trata-se de transformações que vieram para melhor! E para ficar!

No Brasil, a Plataforma de Recrutamento Inteligente www.vagas.connekt.com.br, juntou-se aos Institutos Pipe Social e Choice para criar o primeiro banco de talentos de pessoas que desejam ingressar nessas novas carreiras. A iniciativa prevê a possibilidade de candidatos escolher com quais funções mais se identificam nos negócios de impacto, sustentabilidade e responsabilidade social. Evidentemente, como acontece com qualquer outra vaga na plataforma, as candidaturas são gratuitas. Os candidatos serão disponibilizados, também gratuitamente e dentro da plataforma Connekt, para clientes  e outras empresas interessadas.

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