As Plataformas de Recrutamento e a Experiência do Candidato

Os últimos anos observaram uma profusão enorme de plataformas de recrutamento no mercado brasileiro, os chamados ATS. Todas vêm com grandes promessas de otimizar os processos de Atração e Seleção de pessoas, redução de custos e melhores controles. Muitas também se propõem a facilitar a seleção dos candidatos mais aderentes às suas vagas, através do uso de ferramentas com nomes da moda, como Fit Cultural e Inteligência Artificial. Não tenho dúvidas que as plataformas, se bem utilizadas, com boas descrições de vagas e de benefícios e boas apresentações das empresas contratantes, ajudam muito a otimizar e organizar os processos nas empresas, reduzindo custos e ganhando tempo nas contratações. Da mesma maneira, Fit Cultural e Inteligência Artificial também têm grande potencial para contribuir para uma melhoria na seleção de pessoas, apesar de estarmos em uma fase ainda muito embrionária destas ferramentas e, algumas vezes, elas mais atrapalham do que ajudam. Aparecem, assim, muito mais como um argumento mercadológico. Mas isto é assunto para outro dia!

Hoje quero voltar minha atenção para o ponto mais importante do processo de recrutamento e seleção das empresas: O Candidato e os impactos de uma boa experiência para as candidaturas. Basta dar uma analisada nos inúmeros grupos do Linkedin e do Facebook sobre o tema para verificar como ele tem sido negligenciado pela maioria das plataformas de recrutamento. Pode parecer evidente que candidatos possam estar mais propícios a reclamar das plataformas quando não são aceitos sistematicamente nos inúmeros processos a que se candidatam. Trata-se de uma dura realidade num país com quase 30 milhões de pessoas desempregadas, desalentadas ou dizendo que gostariam de trabalhar mais.

Mas as queixas não se resumem à frustração de mais uma vaga perdida. Elas se voltam também para a maneira como estas respostas são dadas pelas plataformas e para a frequente falta de feedback, e vão além, para experiências extremamente burocráticas, confusas e repetitivas de solicitação de informações que poderiam estar armazenadas e ser aproveitadas em novas candidaturas. Somando a frustração de uma candidatura não aceita com as experiências confusas e repetitivas, não é difícil ver candidatos relatando que passaram a não se aplicar mais a vagas intermediadas por esta ou aquela plataforma. Basta acompanhar os desabafos de candidatos nos grupos das redes sociais. Isto é desagradável para o candidato, e, por conta disso, pode reduzir o potencial de bons candidatos em suas vagas.

Meu propósito aqui é ajudar você, recrutador ou gestor de RH, a encontrar maneiras de melhorar a experiência dos seus candidatos. Importante que você se lembre que, apesar de utilizarem ou reclamarem desta ou daquela plataforma, eles se candidatam para as vagas da sua empresa e não para a plataforma. Em última análise, é a sua empresa que está sendo avaliada e, caso candidatos comecem a rejeitar esta ou aquela plataforma, são candidatos que não se aplicam mais às suas vagas. E não é exagerado dizer que há uma boa chance de que candidatos com melhores possibilidades de encontrar um emprego sejam aqueles mais dispostos a bloquear uma plataforma.

Então, vão aí algumas dicas para você considerar no momento da escolha da sua plataforma. Vou dividir as sugestões de acordo com a fase da jornada. São várias sugestões e você pode se perguntar “como eu consigo avaliar a minha plataforma como um todo, do ponto de vista do candidato?” Quer economizar tempo? vá direto para a nota do Google e para os comentários de candidatos. Você vai se surpreender com as diferenças de avaliação de candidatos. As notas e comentários de algumas estão bastante distantes de refletir uma boa experiência.

Divulgação da vaga

– A sua plataforma está mais preocupada em montar e atualizar o seu próprio banco de talentos, obrigando candidatos a preencher longas jornadas mesmo quando a vaga requer muito pouco? O ideal é que a plataforma se preocupe apenas em validar a identidade do candidato. As perguntas e trajetórias devem ficar com a vaga!

Aqui está uma das principais insatisfações de candidatos e leva muitos a rejeitarem se aplicar através de uma ou outra plataforma. As razões das plataformas podem estar em questões bem básicas, como deficiência tecnológica, mas geralmente elas têm motivações aparentemente nobres, apesar de muito pouco preocupadas com a experiência do candidato, como montagem de bancos de talentos próprios (ter o seu próprio job board), insumos para as ferramentas de fit cultural e de inteligência artificial, etc. Ou seja, para atender seus objetivos estratégicos, não veem grande problema em submeter candidatos a longas e cansativas trajetórias. Em épocas de desemprego alto, isto pode até funcionar, mas sempre cobrará um preço no futuro.

– A sua plataforma aproveita adequadamente os dados registrados pelo candidato em candidaturas anteriores?

– A sua plataforma permite uma boa divulgação de vaga, com suficiente espaço para uma boa descrição da vaga, benefícios e informações sobre a marca empregadora?

– Você, recrutador, se preocupa com uma boa descrição de vaga? Uma boa divulgação é aquela que é suficiente para o candidato entender os requisitos técnicos e comportamentais da vaga, as tarefas a realizar, benefícios oferecidos e dados sobre a empresa que está recrutando.

Jornada digital

– A maioria das plataformas permite uma grande diversidade de passos na jornada digital, como perguntas de triagem, testes de competências e comportamentais e entrevistas gravadas (entrevistas digitais). Uma triagem muito longa afugenta candidatos e uma triagem muito reduzida dificulta os algoritmos a ajudar no rankeamento de candidatos!

– A sua plataforma possui uma estrutura de apoio para você acompanhar a evolução das vagas e candidaturas? Possui bons relatórios que permitem que você verifique, por exemplo, perguntas ou respostas que mais reprovam? Assim, você pode baixar ou subir a régua na jornada digital e ter mais ou menos finalistas.

Apoio ao candidato

– Para que as plataformas alcancem o seu máximo potencial, elas dependem da qualidade tecnológica do equipamento e da qualidade da internet do candidato. Não se trata apenas de dificuldades financeiras para suportar serviços e ferramentas adequados, mas também de dificuldades técnicas de muitos candidatos, especialmente para vagas mais operacionais. É fundamental que a plataforma ofereça algum tipo de suporte humano e empático para tratar estas dificuldades diretamente com o candidato. Verifique e teste se este suporte existe na sua plataforma ou se o problema é devolvido para você.

Feedback e acompanhamento das candidaturas

– A maioria das plataformas possui algum tipo de feedback automático, especialmente para os candidatos não aprovados nas primeiras fases da jornada ou quando a vaga é encerrada. Certifique-se que esta mensagem é respeitosa e empática com a condição do candidato;

– No processo, nunca se esqueça que você também é responsável por parte do feedback, especialmente para aqueles candidatos que estão nas fases finais. É muito frequente que uma vaga fique sem ser encerrada (por contratação, cancelamento, etc). Saiba que nestes casos, enquanto não houver uma ação sua, os candidatos finalistas dificilmente terão alguma resposta;

– A sua plataforma permite que o candidato acompanhe todos os processos aos quais ele se candidatou, não importa se na sua empresa ou em outras?

Uma boa plataforma começa por uma experiência positiva do candidato!

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