Adaptabilidade – Algo que precisamos cada vez mais!

A questão da mudança ocupa nossas atenções muito antes de ela alcançar a velocidade que observamos hoje com as revoluções gêmeas da informação e da comunicação. Já entre os primeiros filósofos da Grécia antiga, há mais de 2500 anos, a tese de Heráclito era que “ninguém se banha duas vezes no mesmo rio” ou que “tudo flui e nada permanece”. Mas quase todos concordamos que a mudança alcançou hoje uma velocidade tão espantosa e significativa que se tornou uma das principais fontes de stress e depressão entre os adultos. E para piorar, também ninguém duvida que a velocidade desta mudança será cada vez mais acelerada. 

Antes ainda da epidemia de Covid-19, que adicionou novas fontes de stress, a Organização Mundial da Saúde estimava que o stress custava em torno de 1 trilhão de dólares todos os anos para as sociedades, medindo apenas os impactos do absenteísmo das pessoas nos seus trabalhos. Não existem medidas dos impactos em outras áreas, como por exemplo na criatividade e inovação, duas das questões mais essenciais que nós humanos necessitamos para enfrentar justamente a mudança no mundo do trabalho.

Uma vez consciente de que a mudança continuará em sua trajetória de aceleração e que ela traz impactos complicados sobre a saúde física e mental das pessoas, a pergunta que se impõe é quais habilidades ou competências podem ajudar as pessoas e organizações a enfrentar seus impactos ou até mesmo alavancar vantagens competitivas? Diversas parecem ser essas habilidades, como flexibilidade e resiliência, que eu vou resumir numa meta-habilidade que podemos denominar de adaptabilidade. Muitos séculos depois de Heráclito, Dostoievski, em seu livro Memória da Casa dos Mortos, em que descreve a realidade dos seus anos de confinamento na Sibéria, entende a capacidade de se adaptar a tudo como a melhor qualidade do sujeito humano. Ela aparece hoje como uma das principais habilidades desejadas por recrutadores quando desenham descrições de cargos e constroem jornadas para seleção de pessoas. 

Mas quais são as principais características do que se pode denominar de uma adaptabilidade forte, ou uma significativa capacidade de se adaptar a situações diversas e em acelerada mudança? Uma análise de mais de 70 artigos acadêmicos, conduzida pela McKinsey, identificou três comportamentos ou atitudes fundamentais para aumentar a adaptabilidade das pessoas.

– Capacidade de gerenciar de forma proativa o seu bem estar físico, mental e espiritual – buscar proativamente práticas permanentes de atividades que estimulem o corpo, mente e espírito;

– Cultivar hábitos de aprendizado constante durante toda a vida – ver o mundo como um grande laboratório, em que o sujeito aprende a se colocar como um iniciante, um estudioso ou explorador;

– Cultivar relacionamentos com pessoas e equipes que promovam o bem estar e o aprendizado.

Para indivíduos e organizações é importante perceber que a adaptabilidade é uma habilidade que pode ser adquirida ou desenvolvida nas pessoas. Para os indivíduos evidentemente essa aquisição ou desenvolvimento depende da tomada de consciência, que normalmente necessita da ajuda de outros. Daí que o cultivo de relacionamentos produtivos é fundamental (grupos de exercícios, de estudos, comunidades, etc.). Por sua vez, às organizações recomenda-se que elaborem programas de aprendizado dos conceitos e linguagem da adaptabilidade; promovam encontros produtivos abertos para assuntos não necessariamente afeitos à atividade do dia a dia; distribuam textos e análises sobre inovação, mudança e adaptabilidade, etc.

Além de destinar esforços para o desenvolvimento das pessoas da empresa, nos processos de busca por novos colaboradores (Recrutamento & Seleção), recrutadores devem ser capazes de identificar pessoas que já trazem alta capacidade de adaptação para a organização. Jornadas de recrutamento podem e devem incluir passos em que candidatos tenham a oportunidade de mostrar como gerenciam a mudança que os atinge. As três características fundamentais citadas acima podem servir de guia para o desenho das jornadas de seleção e identificar candidatos com maior ou menor propensão à adaptação à mudança.

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